12 de Abril – Dia do Obstetra
12/04/2021
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Adaptado por Aline Lage

A Fisioterapia Obstétrica é uma especialidade da fisioterapia que engloba o cuidado da mulher durante a gestação, parto e pós-parto.

Atividade física na gestação – Quem pratica uma atividade física regular sabe da importância desse hábito para a saúde. E durante a gestação não é diferente. Mas precisam ser tomados alguns cuidados adicionais na prescrição dos exercícios, pois deve-se levar em consideração principalmente a segurança e a saúde da mulher e do feto.

Antes de iniciar qualquer programa de atividade física, é necessário ter a autorização do obstetra e procurar um especialista no assunto para acompanhá-la durante esse período.

As atividades mais recomendadas para esse período são aquelas de baixo impacto, praticadas com intensidade leve a moderada, como caminhada, natação, hidroginástica, pilates, yoga e alongamento, cada uma apresentando seus benefícios.

O ACOG (Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia) recomenda que as gestantes façam pelo menos 150 minutos de atividade física aeróbica toda semana. As atividades podem ser praticadas de 30 a 45 minutos, 3 a 5x na semana, sempre respeitando o ritmo de cada mulher. É necessário acompanhar a frequência cardíaca (que não deve ultrapassar 140bpm), pressão arterial e temperatura corporal da gestante.

Para se exercitar, você deve estar com roupas confortáveis, manter uma hidratação adequada e o local das atividades deve ter boas condições ambientais (evitar frio ou calor extremo).

As mulheres que se exercitam durante esse período têm uma gestação mais tranquila, com menos inchaço, cansaço, prevenindo e minimizando as dores na coluna. A atividade física leva ao menor ganho de peso, diminuição do risco de diabetes gestacional e hipertensão arterial (DHEG), além de proporcionar maior disposição para encarar o dia-a-dia.

E os benefícios não param por aí. A mulher ativa estará melhor preparada para o parto e sua recuperação pós-parto será mais rápida.

Agora é só você procurar a atividade que mais se encaixe em seu perfil, encontrar um profissional capacitado e mãos à obra!

Algumas gestantes podem optar por realizar estas atividades em consultório de fisioterapia obstétrica, como é o caso de muitas pacientes. O programa de exercícios será direcionado a sua realidade. A avaliação fisioterapêutica é fundamental para ajustar a expectativa com a realidade que a gestante se encontra. O bem estar da mãe e do bebê são a força e o sentido que nos move. Mamãe feliz, neném feliz e fisioterapeuta duplamente feliz.

Drenagem linfática na gestação – É necessário que durante a gestação ocorram alterações físicas no corpo da mulher para que se tenha um perfeito crescimento e desenvolvimento do bebê. Porém, essas alterações podem trazer como consequência dor e algumas limitações em suas atividades diárias. Dentre as principais queixas, temos o edema gestacional, que é o inchaço que muitas mamães apresentam nos pés e muitas vezes em outras partes do corpo como mãos e rosto.

Os conhecimentos das alterações ocorridos durante a gestação são fundamentais para possibilitar a distinção do que é fisiológico para a gestante do que é patológico. Por isto a importância da drenagem linfática manual (DLM) ser feita por fisioterapeuta especialista em gestantes. O profissional habilitado saberá executar a técnica da maneira correta e identificar possíveis distúrbios ou contra indicações como: tromboses, flebites, infecções, pré-eclampsia, etc.

O ritmo da drenagem deve ser uniforme e lento o que imprime à manobra uma sensação agradável, ou seja, ela não causa dor e muito menos hematomas. A DLM deve obedecer ao sentido da circulação linfática de retorno, caso contrário não estará sendo feito de forma adequada.

Para algumas gestantes, além do inchaço habitual o edema causa também desconfortos, levando à dor, sensação de peso, câimbras noturnas e formigamentos nos membros inferiores e superiores, podendo piorar após longos períodos em pé ou com a evolução da idade gestacional e o aumento do peso.

Os tratamentos para o edema gestacional visam à redução e/ou controle, e não sua cura, compreendendo terapias medicamentosas (Obstetras) e não medicamentosas. Por isto é tão importante o trabalho da equipe multidisciplinar.

Dentre as terapias não medicamentosas, destaca-se a fisioterapia na orientação quanto ao uso de meias de compressão, repouso com elevação dos membros inferiores, realização de exercícios metabólicos para ativação da bomba muscular do tríceps sura, panturrilhas, e a drenagem linfática manual.

A drenagem linfática é o tratamento mais indicado para a gestante. É uma massagem suave e lenta, que ajuda a reduzir a retenção de líquido no corpo, diminuindo os inchaços típicos da gestação, facilitando assim as atividades da gestante no dia-a-dia, auxiliando também na redução da celulite, pois melhora a circulação sanguínea. Lembre-se fisioterapia com fisioterapeuta. O fisioterapeuta especializado saberá como conduzir a sessão de drenagem linfática corretamente.

Trabalho de parto e fisioterapia – A gestação passou e então a fase mais esperada chegou: o Parto. Todo o preparo feito nas sessões de fisioterapia pré-natal tem o objetivo de deixar a mamãe mais conectada com o bebê, além de preparar seu corpo para o parto, facilitando as posturas e movimentos que deverão ser realizados nas fases de dilatação e expulsiva do trabalho de parto.

A adoção de posturas verticais durante o trabalho de parto é cada vez mais recomendada, pois facilita a descida e saída do bebê, sendo que, a indicação de cada postura deve ser feita de acordo com a posição da cabeça fetal em relação a pelve materna durante o trabalho de parto.

Exemplos de posturas verticais para o trabalho de parto:

  • Sentada na banqueta/cadeira de parto
  • Sentada na bola suíça (para a fase de dilatação do colo uterino)
  • Cócoras
  • Quatro apoios
  • Em pé ou em posição ortostática

Durante o trabalho de parto é recomendável evitar as posturas de decúbito dorsal (deitada de costas), uma vez que estas comprimem as estruturas ósseas posteriores (sacro e ossos do quadril materno), promovendo aumento da dor e dificultando a descida do bebê. Nestas posturas horizontais, as contrações uterinas deverão contrapor duas forças: a gravidade, não favorável à descida e insinuação fetal, bem como a ausência da mobilidade do sacro, necessária para o parto.

Além de posições adequadas ao nascimento, a respiração correta no trabalho de parto e no parto, influenciam positivamente na redução da sensação de dor e na melhora da oxigenação para a mãe e o bebê. Treinos de exercícios respiratórios com padrão diafragmático devem ser realizados desde a gestação na fisioterapia, utilizando movimentos respiratórios lentos e profundos, respeitando a cadência de inspiração pelo nariz e expiração pela boca.

​O acompanhante/pai também será peça importante durante o “treino do parto” ou numa aula de parto com a fisioterapeuta, pois, ele estará presente no momento do nascimento e, além de oferecer suporte emocional para a parturiente, a auxiliará na adoção de posturas verticais durante o trabalho de parto e na promoção do relaxamento durante as contrações uterinas, realizando massagens ensinadas pelo fisioterapeuta nas sessões anteriores.

Diástase abdominal – A diástase abdominal é uma alteração que pode ocorrer em algumas mulheres no pós-parto. Ela pode ser fisiológica ou patológica, dependendo da extensão da abertura das paredes do reto abdominal. Na gestação ela é bastante comum e também normal.

Geralmente, a mulher identifica quando percebe uma abertura ou abaulamento da musculatura da parede abdominal que ela não tinha antes. Ela ocorre principalmente em mulheres que passaram por diversas gestações, pois resulta em aumento do útero típico da gravidez, que acaba “empurrando” os músculos abdominais para os lados.

Esta separação do músculo reto abdominal pode comprometer a estabilidade corporal e a mobilidade, contribuindo para o aparecimento de dor nas costas, comprometendo a postura, além de problemas estéticos.

Mulheres que não fazem exercícios físicos e que não têm o abdômen fortalecido, desenvolvem mais chances de apresentar o problema. Contribuem também hormônios da gestação que causam o relaxamento muscular (relaxina) e também bebês grandes e excesso de líquido amniótico.

Para ter certeza de que é uma diástase ou não, o ideal é procurar uma fisioterapeuta especialista para através de testes identificar o problema e propor o melhor tratamento. Quanto antes a mulher procurar ajuda, melhor será. A paciente é submetida à avaliação da diástase após a liberação do obstetra responsável.

No pós parto temos uma técnica que se chama Ginástica Abdominal Hipopressiva e ela proporciona excelentes resultados, o ideal é após 40 dias do parto agendar uma avaliação fisioterapêutica para podermos definir o número de sessões e como serão realizadas.

Fonte: Equipe Mater – por Vanessa Marques, Vanessa Marques e Julianna Bambicini

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